Calçadão Economia – Empresariado Brasileiro aposta no potencial produtivo do Brasil e liderança como produtor de proteínas no mercado Americano, Asiático e mundial
O resultado mais esperado dos esforços diplomáticos e empresariais será o encontro do próximo domingo, dia 26, a primeira vez que os presidentes do Brasil e Estados Unidos vão se sentar à mesa para uma discussão mais detalhada. Lula e Trump terão uma conversa eminentemente política. Um acordo é considerado improvável. Mas o petista já pediu a reversão das medidas do tarifaço de 50% sobre o País e a revogação de punições a autoridades do Supremo e do Executivo. Até agora, sem resposta.
ENVIADO ESPECIAL A JACARTA – “Tem que falar bem do Brasil”. Assim o empresário Joesley Batista, dono da maior exportadora de proteína animal do mundo, responde sobre o que fez no encontro privado com Donald Trump, na Casa Branca, um mês atrás.
A conversa era parte de uma estratégia conjunta do setor privado aos contatos secretos entre autoridades dos governos brasileiro e americano, revelados pelo Estadão, para facilitar a aproximação dele com Luiz Inácio Lula da Silva. Até então, as portas estavam fechadas e, como disse o petista, ele e Trump “estavam de mal”, mesmo sem se conhecerem.
“A gente conhece muita gente lá, né? Tem que falar bem do Brasil, coisa que todo brasileiro deveria fazer. Infelizmente, nem todo brasileiro fala bem do Brasil”, disse Joesley ao Estadão durante visita a Jacarta, capital da Indonésia, como parte da delegação empresarial convidada para acompanhar a visita de Lula.
O empresário trajava uma gravata estampada vermelha e brincou que era uma estratégia porque com essa cor “ficava bem” nos EUA e no Brasil ao mesmo tempo – o Partido dos Trabalhadores, de Lula, e o Partido Republicano, de Trump, compartilham o vermelho.
Joesley não vai acompanhar a reunião de Lula com Trump. Ele disse que não vai esticar viagem até a Malásia, onde poderia ver de perto a “química” entre os presidentes. O irmão dele, Wesley Batista, sim, pretende ir a Kuala Lumpur.
O resultado mais esperado dos esforços diplomáticos e empresariais será o encontro do próximo domingo, dia 26, a primeira vez que os presidentes do Brasil e Estados Unidos vão se sentar à mesa para uma discussão mais detalhada. Lula e Trump terão uma conversa eminentemente política. Um acordo é considerado improvável. Mas o petista já pediu a reversão das medidas do tarifaço de 50% sobre o País e a revogação de punições a autoridades do Supremo e do Executivo. Até agora, sem resposta.
“Conhecer gente lá” é um eufemismo de Joesley. Os irmãos Batista possuem operações extensas nos EUA. A JBS, uma das empresas dos irmãos, mandou para o comitê de inauguração presidencial de Trump US$ 5 milhões. Uma doação pós-campanha.
Após o tarifaço, eles entraram em cena. O empresário reuniu-se com Trump e fez contatos na Casa Branca com aliados próximos do republicano, como a chefe de gabinete Susie Wiles. Mas não fala muito sobre o acesso privilegiado em Washington.
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Junto ao governo brasileiro, o tratamento ficou claro. De todos os empresários que estiveram com Lula em Jacarta (havia Embraer, Marfrig e Vale), apenas Joesley e Wesley Batista sentaram-se à mesa para a série de encontros reservados e o almoço no Palácio Merdeka, a convite do presidente Prabowo Subianto.
Em outro espaço das cerimônias, juntou-se a eles o executivo José Carlos Grubisich, que vai assumir as operações em futuro escritório do grupo em Jacarta. O trio, entrosado com autoridades brasileiras, assinou três acordos com o governo da Indonésia, sob aplausos de Lula e Subianto.
Memorando de Entendimento entre a PT Danantara Investment Management (Persero) e a JBS N.V. na condução da exploração e negociação do Plano de Transação
?Memorando de Entendimento entre a PT Perusahaan Listruk Negara (Persero) e a J&F S.A. sobre cooperação no estudo do desenvolvimento de usinas hidrelétricas em apoio à transição energética na Indonésia
Memorando de Entendimento entre Fluxus Holding e Pertamina referente à exploração de oportunidades de cooperação no setor energético
Segundo Grubisich, os acordos envolvem a Âmbar Energia e a PLN, a JBS e o fundo soberano indonésio e a Fluxus e a empresa correspondente de óleo e gás da Indonésia.
José Carlos Grubisich e Wesley Batista em assento da comitiva brasileira no palácio presidencial da Indonésia
Foto: Felipe Frazão/Estadão
É incomum que acordos privados sejam assinados e anunciados numa cerimônia de Estado e diante dos aplausos de dois presidentes. O Palácio do Planalto não publicou fotos dos atos assinados por eles, mas sim a lista, divulgada também pelo lado da Indonésia.
Embora admita um sinal de prestígio, Wesley afirmou que não se trata de uma reedição da política de “Campeões Nacionais” de gestões petistas anteriores. Ele disse não se tratar de um interesse do governo brasileiro e creditou sua presença a convite do governo da Indonésia.
“A bola começou a andar, daqui pra frente vamos trabalhar juntos para ver oportunidades”, disse Wesley Batista, procurando desvencilhar as coisas. “Fomos convidados a vir olhar oportunidades e demostramos interesse. Fortalece a relação bilateral, mas não tem a ver com o governo brasileiro. O governo (indonésio) está buscando, como no Brasil, investimentos e desenvolver a indústria local.”
À noite, voltaram ao Merdeka para a festa antecipada de aniversário oferecida por Subianto a Lula. Joesley vestiu-se com a camisa batik, toda estampada, como os ministros de Estado e o presidente. Wesley ficou de terno, porque a camisa estava apertada.
Mas o entrosamento e a desenvoltura demostra que eles estavam à vontade na comitiva. Sorriram, tiraram fotos e bateram papo, entre outros, com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Entre as festividades e reuniões reservadas, passaram a noite no lobby e no piano bar do hotel St. Régis, na companhia de Jorge Viana, presidente da Apex Brasil, e de ministros como Carlos Fávaro (Agricultura) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Todos de alguma forma vinculados, pelo lado do governo, a interesses do grupo empresarial.
Joesley Batista fotografa o presidente da Apex, Jorge Viana, em cerimônia oficial na Indonésia Foto: Felipe Frazão/Estadão
Dois anos atrás, numa viagem de Lula a Pequim cancelada em cima da hora pelo presidente por razões de saúde, os empresários foram amplamente notados em seu retorno às viagens com o presidente. Mas apareciam pouco.
Em 2025, ainda discretos, agora sentam à mesa com presidentes pelo mundo, algo que parecia distante no período em que frequentaram as páginas policiais e viraram personagens políticos de delações premiadas que atingiram 1.829 candidatos de todo o espectro partidário. No auge da Operação Lava Jato e seus desdobramentos sobre escândalos de corrupção, os irmãos Batista e Grubisich foram presos, assim como Lula.
Agora, da mesa de delegações, viram Carlos Fávaro defender uma resolução do contencioso entre os países na OMC por barreiras ao frango nacional na Indonésia. A disputa foi arbitrada em favor do Brasil.
A proposta brasileira, ainda em discussão, é que passem a permitir a importação de frango do País para compor a merenda escolar, uma forma de acesso controlado ao mercado da indonésia, de 285 milhões de pessoas, sem “atropelar” o empresariado local.
Fonte – msm – Estadão.
ENVIADO ESPECIAL A JACARTA –
Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.




