Manifestantes fecharam a Terceira Ponte – que liga Vitória a Vila Velha –, durante um ato realizado na tarde de segunda-feira, como parte dos festejos do 7 de Setembro, com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e para pedir o seu impeachment. A mobilização começou nas proximidades do antigo posto Moby Dick, na Praia da Costa, em Vila Velha, e reuniu apoiadores e políticos ligados à direita capixaba. No entanto, apesar de ter sido convidado pelo senador e presidente Estadual do Partido Liberal (PL), Magno Malta, o candidato ao governo do Estado pelo Republicanos e com apoio do PL, o delegado Lorenzo Pazolini mais uma vez deu ‘bolo’ nos bolsonaristas capixabas e não compareceu à manifestação.

A ausência de Pazolini pode até não ter frustrado os bolsonaristas raízes – que, na verdade, o têm como traidor e falso político da direita –, mas ampliou o mal-estar entre setores conservadores que sustentam sua candidatura para governador. O ex-prefeito da Capital era aguardado para a tradicional travessia da Terceira Ponte, mas não apareceu, repetindo um comportamento de distanciamento das ruas que já havia gerado críticas em datas e pautas patriotas anteriores.

A expectativa em torno de sua presença era alta. Na véspera, organizadores contavam com a participação de Pazolini para marcar de forma pública sua integração definitiva à base bolsonarista, sobretudo, porque o ato foi encabeçado pelo PL, legenda que ocupa a vaga de vice em sua chapa, com a autoproclamada bispa Eliane Leal – ela é dona de sua própria igreja evangélica –, uma policial militar reformada.

O senador Magno Malta compareceu à manifestação e esteve à frente da mobilização ao lado da filha, Maguinha Malta, candidata ao Senado. A presença dos dois, encabeçando o ato e acompanhando a militância durante a manifestação, tornou ainda mais perceptível a ausência de Pazolini, principal candidato da aliança na disputa pelo Governo do Estado. O protesto contou ainda com engajamento nacional e divulgação de nomes de peso, como o senador Flávio Bolsonaro (PL) – candidato a presidente da República –, que gravou mensagens conclamando os capixabas a marcharem a partir do Posto Moby Dick.

Durante a tarde de segunda-feira, milhares de apoiadores vestindo verde e amarelo ocuparam a Terceira Ponte rumo à Praça do Papa, em Vitória, levantando bandeiras em defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro de 2023 e duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Enquanto outros candidatos e dirigentes partidários do arco de alianças caminhavam ao lado da militância, o cabeça de chapa manteve-se ausente.

Para a ala mais convicta da direita, o desfalque não foi uma surpresa isolada, mas a confirmação de um padrão. Mesmo tendo conquistado visibilidade política em pautas conservadoras, Pazolini tem histórico de evitar manifestações de rua convocadas por grupos bolsonaristas, postura adotada tanto no mandato de prefeito, quanto agora como candidato ao governo, postura neutra que não agrada ao nicho de direita.

O episódio ganha contornos mais delicados pelo momento da disputa ao Palácio Anchieta. Pazolini consolidou uma aliança formal com o PL e declarou apoio a Flávio Bolsonaro à Presidência, mas frequentemente ressalta que utilizará a imagem do clã apenas “no momento certo”, enquanto tenta preservar pontes com eleitores dos demais espectros políticos.

Ao faltar mais uma vez ao palanque popular da Terceira Ponte, Pazolini alimenta o dilema que inquieta seus aliados: até que ponto ele está disposto a abraçar a militância que hoje compõe a coluna vertebral de sua campanha? Para a base conservadora nas ruas, alianças de gabinete e tempo de TV não substituem a presença nos atos que definem a identidade do movimento, frustrando a direita de todo Estado.