Calçadão Meio Ambiente – Saiba mais sobre o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais marinhos – IPRAM
O IPRAM nasceu no ano de 2010, ano que quase 200 pinguins encalharam na costa do Espírito Santo. Um grupo de estudantes de ciências biológicas e medicina veterinária, já habituados a atuarem como voluntários desde 2008 no atendimento emergencial e improvisado a essas aves se organizou para fundar o IPRAM no dia 26 de outubro[31] com o objetivo de profissionalizar e otimizar a resposta emergencial àquele evento e aos próximos.[32] Logo após sua fundação, conseguiu-se articular a soltura daqueles pinguins de 2010 no Estado de São Paulo e arrecadar recursos para a temporada seguinte.
Conhecido pela sigla IPRAM, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos é uma associação civil sem fins lucrativos brasileira, de natureza privada, dedicada ao atendimento veterinário de animais marinhos resgatados em estado de debilidade no Estado do Espírito Santo, especialmente no caso de pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus).[1][2] Recebeu o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), além de ser classificada como Entidade de Utilidade Pública pelo Governo do Estado do Espírito Santo (Lei 11.284 de 10/05/2021)[3] e pelo município de Vitória (Lei 8.677 de 20/05/2014).[4][5]
Desde o ano de 2021 o IPRAM faz parte do Nota Premiada Capixaba, um programa de cidadania fiscal do Governo do Estado do Espírito Santo, executado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), que premia consumidores em dinheiro e ajuda instituições sociais.[6]
Sede do IPRAM – Praia dos Recifes em Vila Velha/ES .
O que o IPRAM faz
O instituto dispõe de uma extensa lista de artigos científicos, livros, capítulos de livros ou resumos científicos publicados em eventos, além de contribuir com trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado.[7][8]
Desde 2023 recebe aves carnívoras (rapinantes e necrófagas) e piscívoras (aves aquáticas em geral) para quarentena e eventual notificação ao Ministério da Agricultura, atuando na vigilância da Gripe Aviária em conjunto com o poder público.[9][10]
No âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras nas bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), realiza o monitoramento de praias nos municípios de Conceição da Barra, Aracruz, Fundão e Serra; registrando a atividade reprodutiva de tartarugas marinhas[11] e resgatando animais marinhos encalhados vivos ou mortos, que são encaminhados para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Norte-Capixaba (CRD-NC), localizado em Guriri, São Mateus/ES, ou para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Centro-Capixaba (CRD-CC), localizado em Praia dos Recifes, Vila Velha/ES.[12]
Para plataformas de petróleo, usinas siderúrgicas e portos capixabas, o IPRAM é responsável por implementar ações de resposta a fauna em emergências ambientais como derramamentos de óleo,[13] além de realizar o resgate de fauna silvestre em casos pontuais de interação com as atividades industriais.[14]

Biólogo Wilson Meirelles Secretário Executivo IPRAM – em ação de sensibilização ambiental no município da Serra.
O IPRAM também realiza palestras, treinamentos para capacitação[15] e exposições didáticas de sensibilização ambiental.[16][17][18][19]
Desde 2012 o IPRAM atuava dentro do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) atendendo além de animais marinhos,[20] um amplo espectro de animais silvestres resgatados pelo poder público,[21] tais como felídeos,[22][23] canídeos,[24] capivaras,[25] cervídeos,[26][27] aves de rapina[28] e aves sob a posse ilegal de cidadãos,[29] por exemplo. Entretanto, essa atividade foi descontinuada no primeiro semestre de 2024.[30]
Atuação do IPRAM
No ano de 2010 quase 200 pinguins encalharam na costa do Espírito Santo. Um grupo de estudantes de ciências biológicas e medicina veterinária, já habituados a atuarem como voluntários desde 2008 no atendimento emergencial e improvisado a essas aves se organizou para fundar o IPRAM no dia 26 de outubro[31] com o objetivo de profissionalizar e otimizar a resposta emergencial àquele evento e aos próximos.[32] Logo após sua fundação, conseguiu-se articular a soltura daqueles pinguins de 2010 no Estado de São Paulo e arrecadar recursos para a temporada seguinte. Além disso, o IPRAM começou a prestar apoio ao órgãos governamentais no cuidado a outras espécies de aves marinhas.[33]
Em 2011 pela primeira vez no Espírito Santo se anteciparam os preparativos logísticos para atender à temporada dos pinguins, que registrou indivíduos contaminados por óleo.[34] O IPRAM recebeu 45 pinguins, sendo alguns originários do Rio de Janeiro. Entretanto, dessa vez já havia uma estrutura à espera dos animais, e pela primeira vez, as solturas foram realizadas no estado do Espírito Santo.
Logo após a soltura dos pinguins, surgiu a preocupação de que o vazamento de óleo do Campo de Frade estivesse na rota dos animais.[36] Ao fim da temporada, a Diretora Executiva do IPRAM, Renata Bhering, solicitou à sociedade apoio ao trabalho do IPRAM, que necessitava de um local permanente para a reabilitação dos pinguins.[37]
No primeiro semestre de 2012 um processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) exigiu que uma empresa reforçasse a estrutura de reabilitação e soltura dos pinguins-de-Magalhães.
Para isso, o IPRAM recuperou e utilizou um edifício abandonado dentro do IEMA.[38] Após o registro recorde de pinguins atendidos em terras capixabas, foi possível reabilitar e soltar mais de 150 pinguins originários de encalhes no Espírito Santo, Rio de Janeiro e da Bahia, tornando o IPRAM uma referência regional neste tipo de atividade.[39] O International Fund for Animal Welfare (IFAW) enviou representantes para ajudar no atendimento dos pinguins durante uma semana do mês de setembro.[40]
Graças à marcação dos animais com anilha metálica, um dos pinguins soltos pôde ser identificado no Uruguai menos de dois meses após a soltura, fornecendo uma informação valiosa para os pesquisadores.[41]
Em 2013 o edifício do IEMA utilizado pelo IPRAM recebeu nova reforma e foi apresentado à sociedade como o primeiro Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Espírito Santo.[42] O IPRAM reabilitou e soltou pinguins provenientes de encalhes no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Alagoas e também recebeu outras aves marinhas voadoras.
No fim do ano o IPRAM descobriu casualmente a atividade reprodutiva de uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) no litoral urbano de Vila Velha, acionando o Projeto TAMAR para que proporcionasse medidas de proteção ao animal.[43] Nesse ano o IPRAM começou a receber também outras espécies de aves oriundas dos PMAVEs (Projeto de Monitoramento de Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna) de empreendimentos diversos relacionados a prospecção sísmica e exploração e produção de petróleo. O IPRAM participou, ainda, do 1º Seminário Internacional de Proteção à Fauna em caso de vazamento de óleo, no Rio de Janeiro, e das oficinas técnicas de Reabilitação de Fauna Oleada que ocorreram em seguida, voltadas à Proteção de Aves Costeiras e Marinhas em caso de vazamento de óleo.[44]
No ano de 2014 o instituto iniciou a prestação de serviço a instalações portuárias do Espírito Santo visando cumprir a Resolução CONAMA Nº 398/2008 quanto ao atendimento a fauna em caso de vazamentos de hidrocarbonetos. Desde então, o IPRAM vem mantendo-se de prontidão para as empresas portuárias locais para realizar o atendimento a fauna em emergências ambientais com derramamento de substâncias oleosas.[45][46]
Foto – Pinguins-de-Magalhães – origem Patagônia – Argentina.
Participou, ainda, da oficina técnica para elaboração do Plano de Emergência para pinguins-de-Magalhães impactados por óleo, no Rio de Janeiro. Nesse ano, não foram registrados pinguins encalhando no litoral do Espírito Santo, mas o IPRAM realizou o atendimento de vários outros animais selvagens provenientes de demandas governamentais ou privadas.
Nos meses de julho e setembro foi realizado o monitoramento de um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) no município de Vila Velha.[47]
Em 2015 contribuiu para a investigação da causa da morte em massa de arraias-ticonha (Rhinoptera sp.) na praia de Camburi, em Vitória (ES).[48] No final do ano, o IPRAM foi acionado para atender a emergência ambiental proveniente do desastre na barragem de Fundão e a consequente contaminação do Rio Doce por rejeitos de mineração.[49][50][51][52] O IPRAM coordenou e executou as atividades de resgate de fauna na porção capixaba do Rio Doce (aproximadamente 144 km de curso d’água em 72 pontos de busca ativa diária) entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016, chegando a 30 pessoas envolvidas diretamente no resgate de fauna. Além disso, o IPRAM administrou a relocação da ictiofauna local para tanques de piscicultura.[53][54] Em dezembro, na praia de Itaparica, em Vila Velha, o IPRAM auxiliou no salvamento de filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) que emergiram de um ninho e se deslocaram em direção à pista, desorientados pela iluminação artificial.[55]
A partir de 2016 o IPRAM foi integrado ao PMP-BC/ES como estrutura terceirizada para atendimento veterinário e realização de necropsias, recebendo centenas de tartarugas-marinhas vivas e mortas, centenas de aves marinhas e prestando atendimento veterinário a cetáceos encalhados vivos, por um breve período.[56] Em agosto o IPRAM realizou uma palestra sobre o atendimento veterinário de tartarugas marinhas na 5ª reunião da Rede de Conservação de Tartarugas Marinhas do Nordeste (Retamane).[57]
No início do ano de 2017 o elefante-marinho apelidado de “Fred” pela população (que visitava o litoral capixaba desde o ano de 2012) foi encontrado em condição crítica de saúde. Atuando em colaboração com autoridades governamentais e outras organizações locais, o IPRAM participou da captura, tratamento médico veterinário, reabilitação e devolução à natureza deste animal, sob intensa cobertura pela mídia, dada a visibilidade e popularidade deste animal.[58]
Todo o trabalho foi coordenado por Luciano Wagner Dórea Reis, diretor do Instituto Mamíferos Aquáticos (BA), que viria a se tornar associado do IPRAM nos anos seguintes. O elefante-marinho “Fred” foi reabilitado e solto com um transmissor para acompanhamento via satélite, um acontecimento inédito para esse táxon no Brasil.[59] Além disso, o IPRAM contribuiu com a consulta pública do Manual de Boas Práticas do Plano Nacional de Ação de Emergência para Fauna Impactada por Óleo (PAE-Fauna)[60] ao enviar sugestões para o Ibama que constam no Parecer Técnico nº 9/2018-COPROD/CGMAC/DILIC.[61]
Em 2018 o IPRAM manteve o recebimento de animais marinhos resgatados pelo PMP-BC/ES, observando também o aumento da demanda relacionada à fauna sinantrópica/silvestre continental.[62] O número de animais atendidos neste ano apresentou uma ascensão drástica, cinco vezes maior em relação aos anos anteriores. Este aumento abrupto no número de animais atendidos demandou uma profunda reestruturação do IPRAM, com a ampliação da equipe e a otimização dos procedimentos e processos administrativos e de gestão.[63][64]
Uma materia destacou o impacto dos resíduos sólidos à saúde das tartarugas marinhas atendidas pelo IPRAM, sendo detectados em 25% dos animais necropsiados.[65] No segundo semestre o IPRAM capacitou dezenas de colaboradores da Transpetro lotados em várias unidades nas ações iniciais de resposta a fauna em caso de vazamento de óleo.[66]
No ano de 2019 o IPRAM participou de exercícios simulados em derramamento de óleo[67] e contribuiu com o poder público[68] na resposta à emergência com o óleo de origem desconhecida que contaminou o litoral do Nordeste, que atingiu também de forma mais branda o Espírito Santo.[69] Além da participação na gestão da resposta a nível regional,[70][71] o IPRAM foi responsável pelo atendimento de aves oleadas resgatadas no sul da Bahia (Arquipélago de Abrolhos)[72] e no Espírito Santo.[73] Em Alagoas, juntamente com representantes do Projeto Cetáceos da Costa Branca e do CEMAM, o médico veterinário do IPRAM Leandro Egert ajudou a instalar uma infraestrutura de despetrolização de animais fornecida pela Petrobras na sede do Instituto Biota de Conservação.[74] Nesse cenário, o IPRAM contribuiu com a orientação técnica do IBAMA sobre o transporte de fauna afetada por óleo.[75] e elabou um próprio documento com orientações para primeiros socorros a animais contaminados por óleo.[76] Ainda nesse ano, o IPRAM realizou uma apresentação na Frente Parlamentar de Fiscalização de Obras de Coleta e Tratamento de Esgoto na Grande Vitória sobre os impactos que os resíduos sólidos causam na vida dos animais e da sociedade[77] e participou dos workshops de elaboração da Lista da fauna e flora ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo.[78]
Em 2020 o IPRAM e o Projeto Aves Amar em parceria com o Projeto Albatroz, elaboraram o livro ‘Reabilitação de Procellariiformes (albatrozes, petréis e pardelas)’. O volume ainda contou com a colaboração do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), Associação R3 Animal, Fundación Mundo Marino, UC Davis School of Veterinary Medicine, Aquário de São Paulo e apoio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA).[79][80]
No ano de 2021 o IPRAM iniciou um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES),[81][82][83] e em 2022 apresentou suas contribuições ao poder público estadual no webinário “A Atuação do Ministério Público na Reparação do Dano Animal”, promovido pelo MPES, por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) e do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (Caoa).[84][85] Nesse ano o IPRAM iniciou o monitoramento de cetáceos do Terminal Portuário de Ubu, localizado na cidade de Anchieta, através da revisão bibliográfica detalhada dos registros históricos, da pesquisa etnográfica com a comunidade pesqueira do entorno e de campanhas embarcadas para avistamento de baleias e golfinhos, em parceria com o projeto Amigos da Jubarte (Instituto O Canal e JubarteLab Ufes).[86][87][88]
Em 2022 o IPRAM compôs o grupo de entidades e pesquisadores que reivindicou ao poder público estadual a publicação do decreto com a lista de espécies com risco de extinção no Espírito Santo,[89][90] o que se concretizou.[91]
Presidente do IPRAM – Luis Felipe Mayorga recebendo do Deputado Estadual Fabrício Gandini a Comenda do Mérito Legislativo “Augusto Ruschi”, dedicada a ambientalistas de destaque no Espírito Santo.
Ainda no mesmo ano, participou da Frente Parlamentar de Conservação da Biodiversidade Capixaba que discutiu conflitos entre a pesca e a conservação na Área de Proteção Ambiental Baía das Tartarugas em Vitória-ES[92] e dois diretores receberam do Deputado Estadual Fabrício Gandini a Comenda do Mérito Legislativo “Augusto Ruschi”, dedicada a ambientalistas de destaque no Espírito Santo.[93][94] Também foram apresentadas as contribuições do IPRAM às instãncias governamentais no webinário “A Atuação do Ministério Público na Reparação do Dano Animal”, promovido pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) e do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (Caoa).[95][96]
Em maio de 2023 o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) declarou estado de emergência zoossanitária em todo o território nacional[97] devido aos casos de Gripe Aviária de Alta Patogenicidade que começaram a ser registrados no Brasil. O IPRAM já se articulava previamente com os órgãos governamentais diante da ameaça da chegada iminente do vírus, constando em uma lista de instituições de referência em janeiro[98] e participando de um treinamento do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF) em março.[99] Em uma entrevista realizada um mês antes do primeiro foco da epizotia, o diretor presidente Luis Felipe Mayorga, havia declarado que o atendimento do IPRAM aos animais produz um diagnóstico da saúde ambiental, não sendo uma questão de ideologia ou de carisma:
Presidente do IPRAM – Médico Veterinário – Dr. Luis Felipe Mayorga
“Esse trabalho gera conhecimento científico; uma base sólida de informações que subsidia políticas públicas[…]“[100]
Os primeiros casos detectados no Brasil foram em aves recebidas e notificadas pelo IPRAM,[101][102][103][104] demonstrando que a reabilitação de aves marinhas permite o monitoramento das doenças de maior importância para a saúde pública, o meio ambiente e a economia.[105] Após o diagnóstico positivo, outras 26 aves silvestres em tratamento no Instituto foram eutanasiadas pelo Serviço Veterinário Oficial do MAPA,[106][107] com o objetivo de evitar a propagação da doença. Com a interdição da estrutura que operava em conjunto com o IEMA,[108] o IPRAM ofereceu seu endereço privado como Quarentenário para Recepção de Aves Silvestres / Posto de Vigilância, onde passou a atuar como um ponto de centralização das aves marinhas ou continentais do grupo de risco recolhidas vivas ou mortas em todo o Estado do Espírito Santo, aumentando o grau de controle dessa emergência sanitária e evitando a disseminação de aves ou carcaças contaminadas entre a população.
Daquele momento em diante, o IPRAM contribuiu voluntariamente com várias frentes de investigação da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade, com o objetivo de centralizar a cadeia de atendimento a aves vivas ou mortas no litoral capixaba durante a chegada do vírus H5N1 no território brasileiro, na expectativa de evitar ou reduzir infecções e mortes humanas e prejuízos econômicos de maior magnitude. Em 2023 o IPRAM fez comunicações com o Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (CIEVS) da Secretaria Estadual de Saúde em 14 ocasiões em que detectou a possibilidade de pessoas terem interagido com aves potencialmente infectadas com o vírus H5N1, permitindo que o CIEVS entrasse em contato com essas pessoas para monitorar seu estado de saúde.[109]
Em outra estratégia, apoiou o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) com recursos humanos e materiais nas operações de vistoria das ilhas costeiras[110][111][112][113] responsáveis por abrigar as espécies de aves mais susceptíveis à doença. Entre os meses de maio e junho foi registrada a morte massiva de trinta-réis no litoral capixaba, com concentração de registros entre a região metropolitana e o litoral sul. O epicentro dessa mortandade foi a Ilha dos Ovos, no município de Marataízes e em segundo lugar, o Arquipélago das Itatiaias no município de Vila Velha; locais que entre maio e setembro recebem colônias reprodutivas do Trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus). No início de junho a Prefeitura de Marataízes interditou a Ilha dos Ovos,[114] a Prefeitura de Vila Velha proibiu o acesso de turistas a cinco ilhas na costa da cidade por 180 dias[115] e logo em seguida, o governo do Espírito Santo aumentou para 13 o número de ilhas turísticas com acesso proibido de visitantes devido ao risco de exposição à gripe aviária. Em reconhecimento a esses esforços no gerenciamento das aves suspeitas para a gripe aviária, o IPRAM recebeu o Prêmio Farol do Bem, do Sindifer-ES.[116] Em agosto o IPRAM participou da oficina de elaboração do 2° Ciclo do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Marinhas conduzido pelo ICMBio/CEMAVE na cidade de João Pessoa.[117] Finalmente, ainda no ano de 2023 o IPRAM esteve entre as instituições fundadoras da Rede Brasileira de Atendimento a Encalhes e Informação de Pinguins (REPIN), criada pelo CEMAVE/ICMBio.[118][119]
A partir do ano de 2024 o IPRAM deixou de ser uma estrutura terceirizada e passou a ser uma Instituição Executora responsável por trechos específicos do PMP-BC/ES,[120] adicionando às suas atividades rotineiras o monitoramento diário em algumas praias da costa capixaba.[121] Além do resgate de animais marinhos debilitados, passou a realizar também o manejo de ninhos de tartarugas marinhas.[122] As ações de educação ambiental foram intensificadas pelo biólogo Wilson Luiz Chevitarese Meirelles.[123] Outra grande mudança foi o encerramento da parceria com o IEMA,[124] quando o IPRAM passou a atuar em um novo centro de reabilitação localizado no município de Vila Velha, construído com recursos provenientes de empresas privadas, dentre as quais a petrolífera brasileira Brava Energia.[125][126] Ainda atuando no atendimento a animais silvestres, embora em menor escala, o IPRAM auxiliou na reabilitação de um filhote de tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) que recebeu a atenção da imprensa.[127] Também seguiu prestando seu apoio ao poder público atuando como Quarentenário para Recepção de Aves Marinhas e Silvestres suspeitas para a gripe aviária, auxiliando a detecção de focos e a decisão.[128][129]
Em novembro contribuiu com uma reportagem sobre fotopoluição na costa capixaba.[130] O ano se encerrou com a soltura de uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) reabilitada, em conjunto com o Projeto TAMAR.[131]
No início de 2025 a exposição “Guardiões dos Mares: lutando contra os resíduos” no Parque Costeiro da Praia de Camburi (Vitória-ES) disponibilizou à população capixaba acesso às peças taxidermizadas do acervo didático do IPRAM, tais como um esqueleto de boto-cinza, aves e tartarugas taxidermizadas e um tubarão-Mako de fibra de vidro.[132] Em fevereiro, a REPIN publicou o Protocolo de Marcação de Pinguins-de-Magalhães, que contou com a contribuição do IPRAM.[133] Ao longo do ano o IPRAM viabilizou o Projeto Manguezais sobre Recifes, também conhecido como Projeto Mangues de Pedra, por meio de uma parceria com o Laboratório de Estudos do Sistema Atmosfera-Continente-Oceano (ESOLab) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); sendo um dos projetos vencedores do edital “Chamada Ideias para a Conservação” do Parque Costeiro.[134][135] Em julho, uma tartaruga-de-couro chamou a atenção ao fazer seu ninho na praia de Jacaraípe, área de responsabilidade do monitoramento do IPRAM.[136][137][138] No segundo semestre, ganhou notoriedade a transfusão de sangue realizada entre dois pinguins.[139] Ao fim da temporada foram devolvidos ao mar doze pinguins-de-magalhães, dentre os quais sete portavam dispositivos para monitoramento satelital.[140] Também chamou à atenção a soltura uma tartaruga-marinha adulta pesando 185 kg em uma operação conjunta com o projeto Amigos da Jubarte.[141] Ao fim do ano a Petrobras anunciou o apoio à construção de centros de reabilitação de animais marinhos no Espírito Santo, incluindo o IPRAM[142] e filhotes de tartaruga marinha presos em resíduos na areia receberam ajuda para alcançar o mar.[143]
No primeiro semestre de 2026 o Centro Mamíferos Aquáticos do ICMBio publicou o Guia de Atendimento a Mamíferos Aquáticos Oleados, que conta com a participação do IPRAM em dois capítulos.[144] O IPRAM realizou a soltura de uma tartaruga-marinha adulta com quase 200kg,[145] alertou sobre a crescente quantidade de tartarugas envolvidas em colisão com embarcações[146][147] e se envolveu em ações de resgate de aves marinhas que se reproduziam em uma pilastra da Terceira Ponte em Vitória/ES.[148][149][150] Em abril o IPRAM notificou um trinta-réis-de-bando suspeito para influenza aviária. O IDAF colheu amostras e encaminhou para análise, enquanto a vigilância municipal iniciou o monitoramento dos contatos humanos. O resultado foi negativo para H5N1, entretanto, demonstrou a capacidade permanente de vigilância das ações integradas entre o IPRAM e o poder público.[151] Já em cooperação internacional com o governo de Angola, Luciano Wagner Dórea Reis participou da investigação de influenza aviária de alta patogenicidade em colônias de aves aquáticas e da mortandade de pinípedes na Baía dos Tigres, no Namibe.[152][153][154][155] O IPRAM também iniciou as contribuições com o LPA – Laboratório de Patologia Animal da UFES ao viabilizar a contagem e diferenciação celular da hemolinfa de caranguejos Johngarthia lagostoma trazidos da Ilha da Trindade[156] e chamou a atenção das autoridades para a presença de biomídias de sistemas de tratamento de água poluindo praias em vários municípios capixabas.[157]
Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Pesquisa_e_Reabilita%C3%A7%C3%A3o_de_Animais_Marinhos
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Referências
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Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.





