Calçadão COP 30 – O Brasil é o celeiro e o pulmão do Planeta Terra
Belém é a cidade escolhida para sediar o evento que acontecendo no inicio de novembro. A capital paraense tem a missão de recuperar a posição de “capital da Amazônia”. Uma força-tarefa foi montada e preparou a cidade e a região para receber a COP30.
Belém é a cidade escolhida para sediar o evento que acontecendo no inicio de novembro. A capital paraense tem a missão de recuperar a posição de “capital da Amazônia”. Uma força-tarefa foi montada e preparou a cidade e a região para receber a COP30.
Neste sentido, a prefeitura da cidade e o governo do estado trabalharam rm conjunto ao governo federal e à iniciativa privada para impulsionar o desenvolvimento e deixaran a cidade pronta para receber os milhares de visitantes previstos.
O Além da Energia vem acompanhando os avanços nos preparativos da cidade. Estima-se que o conjunto de obras do Parque da Cidade, espaço que sediará as exposições e reuniões da COP30, recebeu pelo menos R$ 980 milhões em investimentos. Ao todo, são38 obras que foram realizadas na cidade, o que representa um investimento de R$ 7,3 bilhões, de acordo com o G1.
Recentemente, porém, o Governo Federal divulgou, via Portal da Transparência, que foram empregados mais de R$ 4,2 bilhões para preparar a cidade de Belém para o evento.
As áreas de investimentos são: infraestrutura, turismo, saneamento, segurança e hotelaria.
Em declaração para o Uol, Valter Correia, secretário extraordinário da COP30, disse que a cidade está “ preparada e pronta para receber visitantes e delegações de todo o mundo”. De acordo com o governo do Pará, mais de 30 obras estaduais executadas, gerando mais de 5 mil empregos diretos e indiretos.
Entre as obras cita a modernização do Aeroporto Internacional de Belém, a revitalização de rodovias e o BRT Metropolitano e o citado Parque da Cidade. As obras foram organizadas em quatro categorias: hospedagem, infraestrutura, mobilidade e saneamento.
Na área de infraestrutura, que teve mais projetos e recursos, são 14 obras orçadas em R$ 2,7 bilhões. Hospedagem, mobilidade e saneamento receberam oito obras públicas cada uma.
Também na reportagem do Uol, foi contabilizado que só o Aeroporto Internacional de Belém recebeu R$ 450 milhões em melhorias, feitas pela concessionária Norte da Amazônia Airports (NOA). Entre elas estão a ampliação das áreas de embarque, a construção de novos mezaninos comerciais e um novo pátio para cinco aeronaves adicionais da categoria C (modelos utilizados em operações comerciais domésticas).
Apesar de impulsionar o desenvolvimento, a escolha da capital paraense como sede da COP superou implicações ambientais e geopolíticas. No entanto, o desafio logístico foi fato superado e considerado.
Acelerando os projetos de infraestrutura, o governo também se preocupa com a rede hoteleira: “A questão dos leitos é crítica.
Nesse sentido, outra grande obra da COP30 é a requalificação do Terminal Portuário de Outeiro (executada pela Companhia Docas do Pará (CDP) com apoio da Itaipu Binacional). A obra está 82% concluída e será a base para navios-hotel que receberão delegações. O investimento aproximado nessa frente é de R$ 233 milhões.
Em termos de mobilidade urbana, segundo o governo do estado, a obra do BRT Metropolitano já atingiu exito . O projeto é financiado pela Agência de Cooperação do Japão (Jica) e conta com 265 ônibus novos, sendo 40 elétricos, equipados com ar-condicionado e wifi.
A Amazônia como sede da COP no Brasil
A cúpula reune líderes globais na Amazônia brasileira para focar na questão climática. Essa escolha é estratégica para o Brasil, pois destaca o bioma e oferece ao país uma plataforma para mostrar suas iniciativas de preservação e transição energética. O Brasil é um líder nesse setor e possui recursos que lhe permitem dar o exemplo. Entre os desafios do Brasil na COP30 está a mediação das discussões, o que pode demonstrar que o país pode assumir um papel central no combate às mudanças climáticas.
A COP30 será presidida pelo embaixador André Corrêa do Lago, com Ana Toni atuando como CEO da Conferência. As ministras Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, devem participar ativamente das discussões.
Autoridades no lançamento dos círculos de liderança.
Na foto, da esquerda para a direita: André Corrêa do Lago, Marina Silva, Sonia Guajajara, Ana Toni, Fernando Haddad e Tatiana Rosito (Foto: Rafa Neddermeyer/ COP30 Amazônia/ PR)
Um dos pontos centrais da conferência está sendo a tentativa de reposicionar o Brasil no cenário internacional como uma potência ambiental. Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, um histórico no uso de biocombustíveis e investimentos crescentes em tecnologias sustentáveis, o país pretende apresentar um novo modelo de crescimento verde. “Essa agenda favorece o Brasil. Podemos crescer mais, gerar empregos e atender à nova demanda global por produtos sustentáveis”, reforçou o embaixador.
A Amazônia corresponde a um terço das florestas tropicais do mundo e desempenha um papel determinante na absorção global de carbono, ajudando a reduzir (naturalmente) os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera.
Segundo a CNN Brasil, o país tem chances de ser o grande protagonista da edição, mas ainda precisa mostrar ao mundo que isso não se deve apenas ao fato de abrigar parte da maior floresta do planeta, o que, por si só, já justificaria o título.
A expectativa da COP30 é que o Brasil demonstre aos líderes globais como está combatendo as mudanças climáticas, uma vez que é referência mundial na utilização de energia limpa, com mais de 90% da eletricidade proveniente de fontes renováveis.
Pedro Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), declarou em entrevista à CNN Brasil que receber a COP pode representar uma “excelente oportunidade” para o Brasil mostrar suas iniciativas na área de geração de energia.
Desafios da COP30
O Brasil assume a pressão de sediar uma conferência que exige resultados concretos frente às mudanças climáticas. Entre os desafios, destacam-se:
-
Financiamento climático: parte dos compromissos assumidos pelos países membros não foi concretizada, pois depende do financiamento viabilizado pelas nações mais desenvolvidas.
-
Revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs): um fator determinante para o bom desempenho do Brasil na presidência da COP30 é a liderança pelo exemplo. Em sua última NDC, o país assumiu o compromisso de reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em 59% a 67% até 2035, em comparação a 2005. Apesar de ter demonstrado uma progressão na ambição de sua contribuição para o Acordo de Paris, esse comportamento pode colocar o Brasil no caminho para a neutralidade climática até 2050, ou seja, uma ação a longo prazo.
-
NDCs 3.0: são as últimas atualizações das NDCs antes da COP30. Das 197 nações signatárias do Acordo de Paris, apenas 22 países apresentaram o documento antes do prazo: Andorra, Brasil, Canadá, Cuba, Equador, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Ilhas Marshall, Japão, Maldivas, Montenegro, Nova Zelândia, Reino Unido, Santa Lúcia, Singapura, Suíça, Uruguai e Zimbábue.
-
O Brasil tem potencial para se tornar um dos maiores exportadores de produtos de baixo carbono, entre os quais se destacam os combustíveis sustentáveis para a aviação e todos os produtos manufaturados produzidos com energia elétrica renovável. Por isso, há expectativa de que o país atraia novos investimentos em indústrias intensivas em energia, como a de data centers. Com o crescimento das soluções de inteligência artificial generativa, a expectativa é que a demanda global por energia para data centers cresça 16% ao ano até 2028 – e toda essa energia deve ser renovável, o que coloca o Brasil em boa posição devido à alta renovabilidade da sua matriz elétrica.
-
Desenvolvimento social e justiça climática: para Ana Toni, “o desafio é encontrar caminhos que combinem o combate às mudanças climáticas com o desenvolvimento, o crescimento e a criação de empregos”.
-
Envolvimento social: segundo o presidente da COP, é necessário fazer com que a população mundial repense seu cotidiano e adote práticas que contribuam com o meio ambiente em suas rotinas.
O agronegócio na COP30
Foto: Hryshchyshen Serhii/ Shutterstock
Longe de ser apontado como vilão, o agronegócio brasileiro deverá ser valorizado por seu potencial de contribuição climática, seja pela captura de CO₂, seja pela recuperação de áreas degradadas ou pelo uso de inovações tecnológicas. “Vamos mudar a percepção sobre o agro. Ele pode ser parte da solução”, disse Corrêa do Lago, defendendo uma aliança entre economia e meio ambiente.
O presidente da conferência acredita no potencial mobilizador e, por isso, lançou um “mutirão global” pelo clima. A ideia é envolver cidadãos do Brasil e do mundo em ações coletivas para combater a crise climática. “Mutirão é uma palavra que não existe lá fora, mas já começou a ganhar popularidade. A COP deve melhorar a vida das pessoas e não piorá-la”, afirmou.
Mais do que um evento internacional, a COP30 se apresenta como um teste de capacidade, planejamento e inclusão para o Brasil, segundo o embaixador. E, se bem conduzida, pode reposicionar o país como liderança estratégica em uma nova era de transição energética global, ainda na visão dele.
Desafios de inovação
Conforme comunicado no site oficial do evento, a COP30 terá um lugar de destaque para a inovação tecnológica. “Unidos pelo espírito de colaboração, empreendedores, desenvolvedores, comunidades de usuários e financiadores intercambiarão ideias disruptivas, oportunidades de negócio, análises de impacto e planos de investimento em soluções tecnológicas para enfrentar as causas e as consequências da mudança climática”, relatou a organização.
A COP30 pretende reconhecer a originalidade e o potencial de impacto de ideias e soluções efetivas para o enfrentamento do aquecimento global. O espaço será coordenado por instituições parceiras e os desafios de inovação devem abranger uma ampla gama de propósitos, segmentos industriais e modalidades tecnológicas. A organização espera que empreendedores, pesquisadores e inovadores participem da iniciativa.
O que o mundo espera do Brasil na COP30?
Um dos principais pontos da conferência do clima é o financiamento climático. Na COP29, realizada no Azerbaijão, os resultados foram aquém do esperado. A estimativa era viabilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais para o financiamento climático global, mas a conferência fechou com a marca de apenas US$ 300 bilhões por ano.
Os resultados insatisfatórios de Baku transferiram a responsabilidade para o Brasil. A expectativa é que se alcancem melhores resultados, superando os acordos anteriores. O governo brasileiro tem afirmado que a COP de Belém será a “COP da implementação”, em alusão à meta de planos mais ambiciosos.
Fonte – https://www.alemdaenergia.engie.com.br/
Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.




Foto: Hryshchyshen Serhii/ Shutterstock