Calçadão Brasil – A farsa do fim da Cracolândia em São Paulo
*Por Paulo Silveira - presidente do Observatório das Adições Bruce K. Alexander. "A elite brasileira é a 2ª maior consumidora de cocaína do mundo, só perdendo para a dos EUA, a ponto de diversos pontos do litoral brasileiro, onde os esgotos das grandes cidades são despejados, estarem contaminados por cocaína, assim como, por exemplo, a Lagoa da Conceição em Florianópolis (SC)".
Em janeiro de 2014 foi lançado, na cidade de São Paulo, durante a gestão do então prefeito Fernando Haddad, o “Braços Abertos”, um programa com conceito pioneiro em todo mundo, que tinha como foco devolver a cidadania a um grupo de cidadãos brasileiros excluídos da sociedade que se reuniam numa região do centro da cidade de São Paulo.
Para poderem suportar exclusão social, fome, frio, violência. principalmente da polícia paulista, abandono, insegurança e todas as intempéries de viverem excluídos, pelas calçadas de uma grande cidade como São Paulo, eles usavam (em sua grande maioria) uma droga conhecida como crack, extremamente barata por ser um subproduto da fabricação da cocaína (na realidade, a borra produzida durante a fabricação da cocaína).
O grande diferencial do programa de “Braços Abertos” é que em vez de se preocupar com a droga, tinha como objetivo principal reintroduzir aqueles cidadãos na sociedade, oferecendo trabalho, moradia e atendimento de saúde que lhes fosse necessário.
Acontece que a demanda por atendimento era muito maior do que foi oferecida pelo programa de “Braços Abertos”, até porque houve uma grande imigração para a cidade de São Paulo, seja do Brasil ou do exterior, em busca de atendimento.
Cabe ressaltar que, nas noites de sexta e sábado, se reuniam ali um número muito maior de usuários de classe média e classe média alta do que os moradores da cracolândia, para fazerem uso de drogas e eram eles quem sustentavam o fluxo. Essa concentração de usuários durante os fins de semana gerava uma impressão que tinha muito mais moradores ali na cracolândia do que realmente existiam.
Os anos se passaram, inúmeras outras tentativas para acabar com a cracolândia fracassaram, até que o governo de Tarcísio de Freitas e seu vice Felicio Ramuth, em parceria com o prefeito Ricardo Nunes, faz desaparecer a concentração de moradores do local, transformando a área que antes era ocupada pelos usuários de drogas diversas, em jardins, parques, áreas de lazer etc!
Eles alegam que resolveram tudo cuidando dos usuários, através de INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA, ora dizem 20 mil usuários, em outros momentos, 30 mil usuários!
Então vamos lá:
1-Segundo inúmeras pesquisas, o índice de sucesso e internação compulsória de usuários de drogas é inferior a 10% ou vocês acham que os EUA estariam tomados por drogas, se internação compulsória tivesse um mínimo de eficácia?
A elite brasileira é a 2ª maior consumidora de cocaína do mundo, só perdendo para a dos EUA, a ponto de diversos pontos do litoral brasileiro, onde os esgotos das grandes cidades são despejados, estarem contaminados por cocaína, assim como, por exemplo, a Lagoa da Conceição em Florianópolis (SC).
Se internação compulsória resolvesse algo, teríamos inúmeras de clínicas de internação para ricos no Brasil e no exterior.
Você conhece alguma?
1-Junte-se a toda essa farsa macabra, a promulgação, em 2023, pelo STF da ADPF 976.
Nela está regulado todo o processo de intervenção do Estado brasileiro na vida de seus cidadãos usuários de drogas.
Sendo assim, o estado e a prefeitura de São Paulo são obrigados a ter todos os documentos discriminados nessa ADPF, como por exemplo: os nomes de todos os cidadãos internados por eles; os contratos do estado de São Paulo com as clínicas que os receberam; laudos médicos especialistas nessa questão; projeto terapêutico para cada um dos internos; conhecimento do atual destino do mesmo, pois só se pode considerar alguém abstêmio de um vício depois de 5 anos sem fazer uso do mesmo!
Na realidade, o que temos, até o momento, é apenas uma região que era ocupada por usuários transformada em área de lazer da classe média.
Como foi o ministro Alexandre de Moraes quem relatou no STF a matéria dessa ADPF, cabe a ele, por ofício, solicitar a todos os envolvidos o envio IMEDIATO de toda a documentação discriminada na APDF 976 para o STF.
Desde já o Observatório das Adições Bruce K. Alexander se coloca à disposição para atuar como perito judicial nessa ação, com todo o seu corpo técnico, inclusive com o próprio Bruce K. Alexander e Dan Small atuando como coordenadores de todo o processo.
Na realidade, o que sabemos a esse respeito até aqui é:
1-A prefeitura da capital lançou o programa POT PopRua através da Coordenação de Políticas para a População em Situação de Rua (detalhes aqui).
Nesse site, podemos encontrar a lista de beneficiados, com os valores das bolsas (embora muitos, “os líderes que convenceram os demais a segui-los”, tenham recebido mais de uma bolsa) etc.
Uma das condições para que as pessoas recebessem tais bolsas era a de que saíssem da cidade de SP, migrando para outros municípios governados por aliados do governador e do prefeito de SP, principalmente, na Baixada Santista.
Por isso, essas cidades receberam subitamente um número enorme de usuários, com os CAPS locais constatando uma presença muito acima da considerada “normal”, uma vez que agora os usuários têm dinheiro para comprar drogas, com os valores que recebem das bolsas.
Então paulistas da capital, sabem quando acaba esse programa? Vejam a resposta lá no site da prefeitura.
Entenderam agora por que Tarcísio tem anunciado que, vencendo as eleições, vai estender o programa que usou na cracolândia para todo o estado de São Paulo, a começar pela Baixada Santista?
2-Que os cidadãos brasileiros que ali residiam nas ruas da região da cracolândia foram brutal e covardemente expulsos pela polícia de São Paulo.
3-Como declarado pela ONU, o tráfico humano é a 3ª atividade criminosa mais rentável do planeta (https://tinyurl.com/5e7ynkhx ), sendo a população em situação de rua brasileira considerada matéria-prima extremamente requisitada (por motivos diversos).
Como foi amplamente divulgado recentemente, o Primeiro Comando da Capital (PCC) é hoje uma importante organização do tráfico humano.
Só para lembrar, esse mesmo PCC detinha a concessão de empresas de ônibus da prefeitura, e investigações apontavam para a possibilidade de alguns outros negócios do PCC com a prefeitura de SP, investigações essas que desapareceram das mídias desde que o problema da cracolândia foi “resolvido”.
Quem sabe se magicamente o estado brasileiro descobrisse que a fabricação da pasta de cocaína foi transferida para a Amazônia Brasileira, por causa da presença dos norte-americanos nos outros países da América do Sul, em especial na região conhecida como triangulo das bermudas (na fronteira do Brasil com Bolívia/Peru/Colômbia).
Será que não seria possível encontrar alguns ex-habitantes da cracolândia paulista trabalhando, voluntariamente, como escravos?
Para concluir, solicitamos a todos os leitores que possuírem material (filmes, fotos, documentos) a respeito dos temas aqui abordados que nos enviem para o e-mail [email protected].
*Paulo Silveira é presidente do Observatório das Adições Bruce K. Alexander.
**Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
Fonte – Revista Fórum
Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.

