Por - Alan Fardin - jornalista, cristão e conservador, um pecador consciente de suas falhas, que não se fantasia de santo, mas busca viver segundo as virtudes ensinadas por Deus
Euclério impõe derrota que pode desfazer a imagem de Pazolini nas pesquisas e mostra que política não se sustenta apenas no discurso
Por – Alan Fardin – jornalista, cristão e conservador, um pecador consciente de suas falhas, que não se fantasia de santo, mas busca viver segundo as virtudes ensinadas por Deus.
O jogo político no Espírito Santo em 2026 começou a revelar algo que muita gente ainda resistia em admitir. O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, pré-candidato pelo Republicanos ao Governo do Estado, entrou cedo demais na disputa acreditando que bastava forçar a imagem construída em pesquisas eleitorais para convencer o eleitorado. Apostou em exposição excessiva e antecipação de campanha para se firmar, algo que, na política, às vezes pode ser fatal. Mostra demais o que deveria ser fator surpresa e vai gastando o gás antes da hora.
O marketing, as redes sociais e os números são importantes na formação de um produto político para eleições. No entanto, isso é apenas parte de um somatório que exige outros fundamentos ainda mais básicos, como liderança, povo ao lado e não apenas as mesmas figuras do grupo fechado, capilaridade de articulação que atraia aliados em vez de apenas produzir rusgas em ataques e contra-ataques, resistência para suportar pressão e um comando partidário quase kamikaze, que entra com tudo por, para e junto do candidato, funcionando como verdadeiro pavimentador para deixar quem disputa o cargo focado apenas em vencer a eleição.
E foi exatamente nessa lógica que o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, mostrou por que talvez seja hoje um dos políticos mais subestimados do Espírito Santo.
Enquanto muita gente observava apenas quem aparecia mais, Euclério fazia aquilo que os grandes articuladores sempre fizeram. Organizava terreno, alinhava bases, construía relação com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, fortalecia o MDB e assumia uma missão clara dentro dos aliados governistas: preparar o caminho para Ricardo Ferraço disputar o Palácio Anchieta com sustentação de rua e bastidor nos quatro cantos do estado. Ele se tornou uma verdadeira muralha ao redor de Ferraço.
O MDB entendeu que a eleição de 2026 não seria vencida apenas no meio digital ou no carisma momentâneo construído pelo simples alinhamento ideológico. Seria vencida no interior, nas alianças municipais, na formação de chapas competitivas e na construção de um bloco sólido capaz de enfrentar adversários com inteligência política.
E o mais curioso disso tudo é que Lorenzo acabou entrando exatamente no terreno onde Euclério mais sabe atuar.
Nesse aspecto, o prefeito de Cariacica parece ter imposto uma derrota estratégica importante a Lorenzo.
As pesquisas eleitorais que sustentavam a propaganda política de Pazolini começaram a ruir. O MDB entrou pesado no debate técnico e judicial sobre os levantamentos que passaram a cair ou a receber contestação dos órgãos de fiscalização eleitoral. O parecer do Ministério Público Eleitoral, no processo n.º 0600093-72.2026.6.08.0000 movido pelo MDB, foi devastador ao mostrar na pesquisa ES-06002/2026 “gravíssimo descompasso metodológico” e “inequívoco indício de manipulação”, favorecendo o então prefeito de Vitória.
Ali, o MDB deixou de atuar apenas como partido que faz filiações e oferece legenda eleitoral. Passou a demonstrar força institucional real. Não era mais apenas um núcleo reagindo, em tese, a um favoritismo montado em volta do adversário. Era um partido disposto a enfrentar narrativas, questionar e defender suas posições até o fim.
Segundo os argumentos acolhidos parcialmente pelo Ministério Público, houve uma concentração artificial de entrevistas em Vitória, justamente o principal reduto eleitoral de Lorenzo Pazolini. Os dados apresentados no processo mostram que a capital recebeu 514 das 1.220 entrevistas realizadas, o equivalente a 42,13% de toda a amostra, apesar de Vitória representar apenas 8,89% do eleitorado estadual.
A sigla também cravou que os dois maiores colégios eleitorais do Espírito Santo, Serra e Vila Velha, foram completamente excluídos da coleta. A argumentação sustentava que isso produziu um desequilíbrio territorial capaz de favorecer artificialmente o então prefeito da capital.
Outro elemento explorado pela agremiação foi a diferença entre Cariacica e Vitória. Mesmo Cariacica possuindo eleitorado superior ao da capital, recebeu apenas 206 entrevistas, contra 514 em Vitória.
O MDB ainda sustentou que municípios menores receberam proporcionalmente mais questionários do que cidades maiores, o que, segundo a ação, desmontaria completamente a lógica do método estatístico declarado pelo instituto. Entre os exemplos apresentados estavam Baixo Guandu recebendo mais entrevistas que Barra de São Francisco, além de Castelo aparecendo com número superior ao de Nova Venécia, mesmo possuindo eleitorado menor.
A legenda também questionou o fato de o Instituto Veritá ter declarado no PesqEle a utilização do método PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho), técnica que exige coerência proporcional entre tamanho do eleitorado e distribuição da amostra. Segundo o MDB, isso não ocorreu na prática.
Além das distorções territoriais, o partido revelou que a pesquisa extrapolou o objeto oficialmente registrado ao incluir perguntas sobre o presidente da República, apesar de o cadastro prever apenas cargos estaduais.
O parecer do Ministério Público Eleitoral acabou acolhendo boa parte dessas acusações.
Muita gente ainda olha para Euclério apenas como prefeito de Cariacica. Esse talvez seja hoje o maior erro de leitura política no cenário dos bastidores.
Cariacica virou uma espécie de laboratório do que ele sabe fazer. Um político de perfil popular, pragmático, pouco afeito à vaidade, mas extremamente eficiente na construção de poder. Ele praticamente liquidou a oposição local. Os poucos que sobraram ficaram falando para as paredes, porque a maioria convergiu politicamente para sua base.
E talvez esteja justamente aí um dos pontos mais significativos da força de Euclério. Ele não atua apenas no conflito. Atua também na conversão. Traz para perto quem antes estava distante. Entende que, na política, vencer não significa apenas derrotar adversários. Significa também absorver espaços, construir pontes e ampliar território político.
Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.