Capixaba Luis Felipe Mayorga foi o vencedor em sua categoria no Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2025, cuja cerimônia aconteceu durante a Feira do Livro de Porto Alegre, na Sala Vitrine de Lançamento – Clube do Comércio, Andradas, 1085 – 4°andar.
O autor exibe as páginas como troféu.
Ao se encerrar o ano corrente, o escritor capixaba Luis Felipe Mayorga foi o vencedor em sua categoria no Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2025, cuja cerimônia aconteceu durante a Feira do Livro de Porto Alegre, na Sala Vitrine de Lançamento – Clube do Comércio, Andradas, 1085 – 4°andar.
Os jurados do Prêmio em 2025 foram Adriana Maschmann, Diego Mendonça, Duda Falcão, Gustavo Czkester, Irka Barrios, Ismael Chaves, Lu Aranha e Mario Pool Gomes.
Durante o evento foram entregues os troféus aos escolhidos de cada categoria e distribuída a revista Odisseia de Literatura Fantástica número 3 aos presentes, que também está disponível gratuitamente na internet (clique aqui).
Luis Felipe Mayorga concorreu na categoria Narrativa Curta Ficcção-Científica e foi o representante do Espírito Santo nesse tradicional concurso de abrangência nacional com um título curioso, chamado “Predações da Harpia-açú”.
Entrevista
por Mário Berardinelli – Editor.
Qual é o assunto desse conto que se destacou dentre os concorrentes do prêmio?
Minha história se passa em um universo alternativo onde os dinossauros conviveram com a humanidade e foram extintos recentemente, poucos séculos atrás. Nesse contexto, pai e filho descongelam um ovo e trazem de volta à vida um Dromaeosaurídeo, aquele grupo de pequenos velocistas com garras curvas nos pés dentre os quais conhecemos o Velociraptor e o Deinonychus, para citar os mais famosos. Com o passar do tempo, o animal cresce e começa a caçar pessoas em uma cidade pequena.
Como é que uma pessoa interessada pode encontrar esse conto, para iniciar a leitura?
Ele foi publicado originalmente na Revista Literatura Fantástica Volume 15, do selo Álamo Edições; disponível na Amazon e já gratuita para assinantes do Kindle Unlimited. A Revista Literatura Fantástica é a maior publicadora de histórias pulp do Brasil, reunindo contos de terror, fantasia e ficção científica brasileiros. Eu também o disponibilizei gratuitamente no Medium, para quem tiver interesse em ler.
O que chama atenção dos leitores nessa obra? Qual é o diferencial?
Acho que o fio condutor é a relação entre pai e filho; o mais velho sendo um entusiasta da aventura, e o mais novo, um rabugento cético e pessimista. Sem essa dupla, a massa do conto não tem liga. O meu dinossauro também está atualizado com as descobertas mais recentes da ciência e por isso, possui plumagem. Mais do que compor um mero aspecto estético, as penas proporcionam ao animal a capacidade de planar brevemente por distâncias curtas, influenciando seu comportamento ao longo da narrativa. Eu também reconstruí um trecho da Carta de São Vicente, escrita no ano de 1560 pelo Padre José de Anchieta, com uma menção fictícia ao trecho “Quanto aos animais”, permitindo a descrição das interações desarmônicas entre esses dinossauros e os povos originários.
Você sempre gostou de dinossauros? (risos) Se não fosse diretor do IPRAM, seguiria carreira de paleontólogo, talvez?
Quem sabe? Existem dois tipos de pessoas no mundo. Um grupo gasta uma boa parte de sua vida pensando nessas criaturas do passado; comparando os dinossauros de cada filme; apontando imprecisões anatômicas e anacronices em cada obra audiovisual que os represente; admirando um ônibus e imaginando um dinossauro ao seu lado para comparação, entre suspiros. E também existe o outro grupo de pessoas estranhas, que não se importam com dinossauros.
O que esse prêmio representa para a literatura capixaba?
A ficção científica e a literatura do fantástico, em geral, são costumeiramente desprezadas como entretenimento. Nós que nadamos nessas águas precisamos nos impor e marcar território.
Talvez a literatura capixaba não tenha pedido por representatividade em um prêmio nesse segmento? É possível. Mas digo que “vai ter conto sobre dinossauro ganhando prêmio, sim!”
Luis Felipe Mayorga e o reconhecimento pelo seu trabalho escrito.
Finalistas do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2025
QUADRINHOS FANTÁSTICOS
A. Z. Cordenonsi e Fred Rubim – Le Chevalier e a Volta ao Mundo em 80 horas – Avec Editora.
Julio Wong, Kiko Garcia e Ser Cabral – À Moda da Casa – Kikomics e Antenor Produções. (Vencedor)
P.H. Gomes, Rafael Dantas, Rodrigo Matos e Zé Wellington – Cangaço Overdrive: Além das Raízes – Editora Draco.
NARRATIVA LONGA LITERATURA JUVENIL
Larissa Brasil – Mau Noronha e a Onça Cabocla – Independente. (Vencedora)
Paola Siviero – A Torre do Pântano dos Ossos – Gutenberg.
Yasmin Callado – A Quarta Pessoa – Independente.
PROJETO GRÁFICO
Douglas MCT – A Batalha das Feras – Avec Editora.
L. F. Lunardello, Daniela Salamão e Larissa Prado (Org.) – As Muitas Cores que Caíram do Espaço – Mão Esquerda.
Ricardo Celestino – O Vazio e Sei Lá o Que Mais… – Selo Necrose. (Vencedor)
NARRATIVA CURTA FANTASIA
Heitor Serpa – Show do Prata Preta – Independente.
Roberto Cassano – Como Cozinhar Humanos – Independente.
R. M. Albuquerque – Pocalina e os Mortos que Sonham – Independente. (Vencedor)
NARRATIVA CURTA FICÇÃO CIENTÍFICA
Danilo Heitor – Retirante em Tóngbù – Folheando.
Luis Felipe Mayorga – Predações da Harpia-Açu – Revista Literatura Fantástica vol.15. (Vencedor)
Raquel Setz – Magic Help – Editora Oito e Meio. (Vencedora)
ARTIGOS FANTÁSTICOS
L. F. Lunardello – A Máscara do Pseudônimo: Francis Stevens e Gertrude Barrows Bennet – As Muitas Cores que Caíram do Espaço – Mão Esquerda.
Nathalia Xavier Thomaz – Histórias em Quadrinhos: uma Arte Antropofágica – Quadrinhos famintos: a 9a 9a arte como linguagem do limiar – Faculdade de Filosofia, letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. (Vencedora)
Oscar Nestarez – Autoria de Mulheres na Literatura de Horror: Denúncia e Acerto de Contas em Obras do Brasil e da Espanha – Opiniães Revista dos Alunos de Literatura Brasileira.
NARRATIVA LONGA FANTASIA
Giu Domingues – Canção dos Ossos – Galera Record. (Vencedora)
Laís Napoli – A Sociedade das Ilhas Submersas – Qualis Editora.
R. M. Albuquerque – A Larva das Sombras – Editora Cabana Vermelha.
NARRATIVA LONGA FICÇÃO CIENTÍFICA
Daniela Funez – Máscaras de Pele, Tecido e Titânio – Impressões de Minas.
Fábio Fernandes – O Torneio de Sombras: As Aventuras de January Purcell – Avec Editora. (Vencedor)
Juliane Vicente – Sentinela – Malê.
NARRATIVA LONGA HORROR
Iza Artagão – Legítima Defesa – Rocket Editorial. (Vencedora)
Lizandra Silveira – A Lenda da Noiva Fantasma – Independente.
Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.