Calçadão Cultura – Parque de Sombras de oliveiras na capital do Peru é tradição
A expansão urbana de Lima reduziu bastante essa quantidade ao longo dos séculos seguintes, mas o bosque conseguiu sobreviver. Um inventário realizado em 2017 registrou aproximadamente 1.674 oliveiras de diferentes idades, algumas com centenas de anos. Por que o Bosque
No meio de uma das maiores capitais da América do Sul existe um bosque que parece interromper o ritmo da cidade. Em San Isidro, distrito de Lima, no Peru, o Bosque El Olivar preserva mais de mil oliveiras em uma área urbana cercada por avenidas, edifícios e residências. Parte dessa história remonta ao período colonial, quando centenas de oliveiras foram plantadas no século XVII e deram origem a uma paisagem que sobreviveu à expansão da capital peruana.
Hoje, o local ocupa mais de dez hectares no distrito de San Isidro e funciona como uma grande área verde em meio à malha urbana© Imagem gerada por inteligência artificial
Como oliveiras europeias foram parar no coração de Lima?
A história começou antes do século XVII. Registros históricos apontam que Antonio de Ribera introduziu o cultivo da oliveira no Peru em 1559, levando mudas provenientes da Espanha. Alguns anos depois, exemplares foram transferidos para a antiga fazenda de Limatambo, área onde hoje se encontra o Bosque El Olivar.
Uma das fases mais conhecidas ocorreu em 1637. Relatos históricos associados a San Martín de Porres indicam que ele e um ajudante teriam plantado cerca de 700 estacas de oliveira naquela região. Estudos posteriores encontraram inclusive um exemplar cuja idade seria compatível com esse período.
Como algumas centenas de árvores viraram um grande bosque?
As plantações continuaram crescendo depois daquele período. Por volta de 1730, o olival já teria alcançado cerca de 2 mil árvores. Em 1828, registros indicavam 2.338 oliveiras, número superior ao que existe atualmente.
A expansão urbana de Lima reduziu bastante essa quantidade ao longo dos séculos seguintes, mas o bosque conseguiu sobreviver. Um inventário realizado em 2017 registrou aproximadamente 1.674 oliveiras de diferentes idades, algumas com centenas de anos.
Por que o Bosque El Olivar é tão importante para Lima?
Hoje, o local ocupa mais de dez hectares no distrito de San Isidro e funciona como uma grande área verde em meio à malha urbana. As oliveiras representam a maior parte da vegetação e dividem espaço com dezenas de outras espécies de árvores.
O bosque oferece diferentes funções para a cidade:
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sombra em uma área densamente urbanizada;
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habitat para aves e outros animais;
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espaço público para caminhada e descanso;
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preservação de árvores históricas;
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integração entre patrimônio cultural e natureza.
As árvores realmente fazem a cidade “respirar”?
A expressão é figurativa, mas existe uma função ambiental real. Árvores ajudam a sombrear o espaço urbano, interceptam parte da radiação solar, liberam água por transpiração e podem contribuir para reduzir temperaturas locais. Também capturam carbono durante o crescimento e oferecem abrigo para a fauna.
No caso do El Olivar, porém, talvez o efeito mais perceptível esteja na criação de uma área verde contínua em uma cidade de grande densidade. Ao entrar no bosque, o visitante deixa as avenidas e passa a caminhar entre árvores antigas, gramados e caminhos internos.
Hoje, o local ocupa mais de dez hectares no distrito de San Isidro e funciona como uma grande área verde em meio à malha urbana© Imagem gerada por inteligência artificial
O bosque quase desapareceu com o crescimento de Lima
O número de oliveiras caiu de forma importante quando a antiga área agrícola foi sendo incorporada ao tecido urbano. Um estudo sobre a transformação da paisagem calcula que mais de 1.200 árvores foram perdidas entre 1828 e 1967, período marcado pela urbanização e mudança de uso da região.
Por que essas oliveiras atravessaram quase quatro séculos?
A imagem mais interessante do Bosque El Olivar não está apenas na quantidade de árvores, mas na continuidade.
Algumas das oliveiras que hoje fazem sombra em Lima pertencem a uma paisagem iniciada quando a cidade ainda tinha características completamente diferentes das atuais.
O bosque não nasceu com mil árvores plantadas de uma única vez no século XVII. Cerca de 700 oliveiras são associadas ao plantio de 1637, enquanto o conjunto cresceu nos séculos seguintes e hoje conserva mais de mil exemplares. É justamente essa mistura entre árvores centenárias, história colonial e preservação urbana que transforma o El Olivar em um dos espaços verdes mais singulares de Lima.
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Editor – Empreendedor no setor de publicações independentes e fundador do Jornal Calçadão em 1988 – agosto. Fundador do Parque Pedra da Cebola – onde com o Jornal Calçadão durante 10 anos construiu uma tese : Notícias Saudáveis transformam a sociedade doente.. Editor da Revista Municípios do Espirito Santo – 1998 a 2010 – Com 18 edições.
