Calçadão – 190 anos ALES – Otaviano de Carvalho PT – Deputado Estadual que é vivo na memória de aliados e não aliados

Calçadão – 190 anos ALES –  Otaviano de Carvalho PT – Deputado Estadual que é vivo na memória de aliados e não aliados

Otaviano Rodrigues de Carvalho - Partido dos Trabalhadores - PT -Diante do pior, do mais duro, do mais difícil, Otaviano de Carvalho tinha a coragem e a determinação dos revolucionários, o afeto e a reflexão de companheiro, a vontade e o desejo que não se curvam aos poderosos e à injustiça, que não se resignam à falta e às derrotas.

Texto e edição – Mario Berardinelli – editoria de política

jornalcalcadao.com.br

Quando os movimentos populares iniciaram participação nos atos dos Poderes Legislativo e Executivo na cidade de Vitória – Capital do estado do Espirito Santo o lider comunitário e fundador da Associação de Moradores de Jardim da Penha – AMJAP se fez voz como presidente de uma comunidade que exemplarmente encorajou os demais bairros da Região Continental e da cidade a buscarem organização. As lutas á época eram inúmeras.

O transporte coletivo era precário, as escolas municipais eram insuficientes e milhares de crianças e adolescentes vagavam por ruas sem devida orientação educacional.

A falta de vagas nas escolas obrigava famílias a buscarem no ensino privado – escolas particulares, matriculas com custos elevadissimos perante a renda das famílias de nivel social e monetário baixo.

Nas periferias da capital as intituições de ensino público retratavam o descaso da era militar que em educação ofertava ensino público decadente com predileção de matriculas de forma assistencialista onde, o voto de cabresto predominava, garantia matriculas para o ensino público.

Não haviam vagas também para o ensino infantil e faltava professores e estrutura de apoio didático e nutricional ás crianças e demais alunos que de forma assistencial de vereadores e demais estilos reacionários de lideres, ás famílas, tornavam alunos privilegiados com a vaga escolar, etretanto sem direito a uniformes, material didático e escolar.

As lutas não eram poucas. Unidades de Saúde Básicas e Pronto Atendimento não existiam. Existiam Postos de Saúde que de forma pifia ofertavam minimamente dentistas sem estrutura sanitária e clínica e médicos sem instrumentos de trabalho.

Termometros, Hidroboscópios, aparelhos de medição de pressão arterial, papel e canetas, geravam apenas receitas. Era o que os dedicados servidores ofertavam pós, minimos diagnosticos como oferta a saúde pública da população.

Farmácia com fornecimentodo gratuíto de mediações diversificadas, como hoje possuimos, eram miragens, ilusões. frutos de regime opressivo da era de Ditadura Militar.

Foi pela via institucional, organização dos movimentos sociais não governamentais que nasce o político Otaviano Rodrigues de Carvalho.

A melhor oferta em seu legado como morador e lider comunitário em um bairro populoso, de voto consciente – classe média e universitários que a muito não exerciam suas existencias como cidadão livre, sem representatividade na base social como voz, dialogo por meio da organização da representatividade comunitária.

O mineiro com militncia atuante no movimento estudantil universitário PUC/MG – em Belo Horizonte, reformula de forma radiante, proporcionando o inicio de uma era de Participação Popula.

Jornalista com formação acadêmica e voz no sindicato dos jornalistas do ES, o petista doou 25 anos de sua vida a orgaização do Partido do Trabalhadores no estado espirito santense.

A destacada atuação na AMJAP estruturada e oficializada estatutáriamente, semeou a organiazação de demais organizações de representatividade comunitárias nos bairro nobres e nas periferias.

Como exemplo cito; Jardim Camburi – João Pedro Aguiar – PT, Bairro República – o jornalista e professor membro militante ético – autêntico da DS – PT  Julio César Alves dos Santos, devemos lembrar.

A lderança de Otaviano de Carvalho conduziu poder de enfrentamento com a gestão do então prefeito e ex deputado estadual eleito em 1982 – Hermes Leonel Gomçalves Laranja – PMDB – o1/011985 a 31/12/1988, prefeito á época, prtunando destaque ao Partido dos Tabalhadores – PT que passa a ser referencia como opção de gestão pública participativa na cidade.

Com a ideologia socialista – liderou a tendência ideológica – Democracia Socialista. Substituido na AMJAP por aliado Alexandre Passos na coordenação geral da counidade do bairro Jardim da Penha.

Otaviano de Carvalho foi eleito vereador ao lado de “Companheiros Petistas” Gilsa Barcelos, Robson Neves e Namy Chequer – PC do B. Partidos aliados ao PT – Partido dos Trabalhdores, conduziram pela Frente Popular de Vitória – coligção PT – PC do B – PV – PSDB – PSB – PCB  vence as eleiçoes e o Médico Vitor Buaiz –  coloca o PT pela primeira vez no comando do Poder Executivo na capital.

Com 50.229 votos – 44.51% dos votos válidos, sem urnas eletronicas, voto contado um a um, Vitor Buaiz, progressista porém, com elos fortes pela familia tradicional de sobrenome Buaiz.

Otaviano e as “alas radicais do PT” conflitam internamente nos diretório municipal e estadual com o grupo – tendência política denominada Articulação – PT,  prefeito Vitor Buaiz e Rogério Medeiros. Fator que influência fez na transição do cargo de prefeito.

Vitor Buaiz foi eleito em primeiro turno prefeito de Vitória tendo o Jornalista Rogério Sarlo Medeiros vice-prefeito (ligado a Rede Gazeta de Comunicações, foram eleitos em “chapa puro sangue Petista”.

O PT venceu nomes tradicionais na política  como ex prefeito Berredo de Meneses, o radialista e dep. estaual Nilton Gomes, o médico Nilton Baiano, o empresário José Luiz Kfuri, o engenheiro João Luiz Tovar.

A partir da eleição de Vitor Buaiz e Rogério Medeiros no poder municipal, o partido socialista inicia uma fusão impulsionada pelo debate plural com as bases comunitárias e demais partidos na Cãmara Municipal – Poder Legislativo.

Otaviano foi o mais votado do Partido dos Trabalhadores em uma coligação onde o PT elegeu 03 vereadores, o PSB elegeu 01 vereador, PSDB o2, PC do B o1 ficando a bancada governista com apenas o7 dos 21 vereadores.

Pela via do díálogo com as bases que Otaviano de Carvalho liderava, impõe debates com PDT, PMDB, entre outras legendas ditas reaciononárias PL, PFL,PDS remanecentes da era de governos assistencialistas, herança que distânciava os lares, familias dos anseios populares em qualidade de vida.

  • Perly Cipryano e Otaviano de Carvalho em Congresso do Partido dos Trabalhadores – o experiente dirigente partidário Perly Cipryano fez elo na acirrada e fundamentada discurção politica interna do PT á época. Fusão de ídeias, dialogos, pensamentos e visões de lideranças fizeram o governo municipal do PT aprovado, conduzindo Vitor Buaz e José Renato Casagrande – PSB ao governo estadual, após a era polémica e conflituosa do governo Albuino Azeredo.

 

Otaviano de Carvalho e o deputado João Coser lideraram enfrentamento com jornalista – vice prefeito e secretário de fazenda municipal Rogério Medeiros. Produzindo debates fortes em cobranças aos compromisso da tese socialista e progressistas.

Não só com o jornalista Rogério Medeiros o vereador defendeu avanços em debates políticos. Os debates acirrados foram também, com defensores de oligarquias tradicionais como Alexandre Buaiz – PFL  Marcio Calmon – “auto nomeado vereador da educação”, Walfredo Wilson das Neves, Claudionor Lopes Pereira, Ary Bezerra e com o presidente da casa, Alexandre Buaiz PFL –   presidente do Legislativo Municipal, originado em oliguarquia(s)  –  eleito pelo PFL – Antiga ARENA, partido de extrema direita e primo do prefeito Vitor Buaiz, eleito pelo PT – partido socialista .

A Lei que instituiu a obrigatoriedade do debate e destinação de percentuais de investimentos acatando deliberações de assembléias de consultas nas comunidades – bairros foi um dos grandes avanços que reestruturou o município em educação e saude.

“Orçamento Participativo”, ato revolucionário que deu ás comunidades em todas as regiões, obras de Escolas de Ensino Fundeamental, Unidades de Saúde Básica em diversas regiões da cidade, melhorias em áreas de lazer, Centros Educacionais Infantis, pavimentação e drenagem de ruas, saneamento iniciando o fim dos “Valões de esgoto não tratadoa céu aberto”, começaram a ser projetados e construídos.

A Praia de Camburi foi palco de debate e planejamento pela necessidade de tratamento de esgoto. Despoluição e reurbanização da orla.

Obras como a Escola de Ensino Fundamental Eber Louzada Zipinotti em Jardim da penha foi uma das conquistas da AMJAP obitida pelas Assembléias Conunitárias do “Orçamento Participativo” implantada de forma revolucionária. A fusão de ideias pela pluralidade de ideias, foi “Marca do Revolucionário Otaviano de Carvalho “que foi reeleito vereador e atuou com a mesma garra na gestão Paulo Hartung com prefeito.

Dividido pela exoneração do então Secretário de Transporte Paulo Cesar Vinhas – PT que propos de forma inegociável a presença do município no controle do transporte coletivo urbano na cidade, retirando das empresas ás concessões públicas de transpote municipal, “estatizando” – ou seja retirando do setor privado o controle do sistema de transporte coletivo.

O partido rachou, dividido revelando os dois lados do PT. O lado socialista liderado por João Cozer, Otávio Baioco, Brice Bragato e as bases sindicais – CUT que apoiaram o secretário exonerado pelo prefeito Vitor Buaiz e aliado Rogério Medeiros – pre-candidato lançado pelo grupo do prefeito Vitor Buaiz que na convenção viu o então deputado estadual João Carlos Cozer ser indicado candidato pelo partido.

Vitor Buaiz em reação ofertou apoio indireto da máquina da PMV a candidatura do deputado federal Paulo Hatung – PSDB.

Otaviano foi reeleito e teve como parceiros de bancada Perly Cipryano – Luciano Resende e marcante professor de Filosofia João Pedro Agiar, eleito pelo bairro cidade Jardim Camburi.

Posteriormente em aliança com o PSB do lendário político do período de resistência ao Regime Miliar e então governador de Pernanbuco Miguel Arraes propõe aliança com o Deputado estadual José Renato Casagrande e Vitor Buaiz para governo do estado. Vitor Buaiz como candidato majoritário respaldado na boa gestão revolucionária na capital vence o repugnante ex deputado Cabo Camata e os partidos alcançam espaço de destaque nacional elegendo um governo socialista liderado pelo PT.

Ao assumir o governo Vitor Buaiz oferta ao jornalista Otaviano de Carvalho e aos Democratas Socialistas a Secretaria de Comunicação Social e Otaviano assume como secretário em uma pasta de grande responsabilidade. Otaviano sempre polêmico e disposto a enfrentamento com as oligarquias  sai do cargo por razões obivias de relacionamento incompativel com o sistema imutável que emissioras afiliadas a Rede Globo – Rede Gazeta impões ás gestões de governos sem cunho revolucionários.

Otaviano de Carvalho durante anos produziu o Jornal A Gaveta em repúdio ao monopólio que o sistema de comunicação detem onde sem dúvidas a naior fatia das verbas de comunicação possui influencia perante gestões por décadas no Poder Executivo.

Na Assembléia Legislativa o deputado se torna estadualmente destacavél pelo mandato livre das amaras que não configuram com a ética como prática política do seu grupo – tendência interna no Partido dos Trabalhadores que em mandato do deputado estadual Otaviano de Carvalho repugna em conjunto com JoséOtávio Baioco, Claudio Vereza. Assim, conduzem o veterano petista Claudio Vereza a presidência da ALES. Ofuscando uma das últimas ações do então presidente José Carlos Gratz que já acumulava terceiro mandato consecutivo no parlamento estadual.

Veja um contexto interessante que pesquisamos a respeito do saudoso homem público de ações e caráter pautado em coragem, liberdade de expressão, tese fundamentada em democracia e socialismo com ética e respeito a pluralidade de penssamentos porém radical perante aos avanços que a população necessita perante aos grandes grupos que exploram o trabalhador e ofuscam famílias de qualidade de vida reprimida por gerações de governos alinhados a grandes grupos que visam lucros, lucros em forma global Neoliberal. Imperialismo dominante e esplorador das riquezas e povo brasileiro.

Rio da memória: Otaviano de Carvalho (1955-1999)

 

  •  Jornalista e revolucionário Otaviano de Carvalho.

  • Imerso no grande rio da memória, permanece em seus modos de presença. Neste especial de 40 anos da Democracia Socialista relembramos sua contribuição às lutas sociais.

Os gregos chamavam de Letes, o rio da morte e do esquecimento. Assim, o rio da memória é também o rio da vida.

Otaviano de Carvalho, tragicamente morto junto com a companheira Elizabeth Lima, em um fatal acidente quando acompanhava o retorno de Lula em uma caravana a São Mateus, norte do Espírito Santo, em 10 de junho de 1999, frequenta sempre o nosso rio da memória.

Kleber Frizzera, arquiteto e fundado do PT/ES, escreveu uma carta em homenagem a Otaviano. Amigo de longa data da Democracia Socialista, Frizzera é certeiro ao afirmar que relembrar Otaviano é reconstituir a esperança, sentimento imprescindível em tempos de futuro tão incerto.

Em 2013, Juarez Guimarães e Ana Paola Amorim dedicaram o livro “A corrupção da opinião pública. Uma defesa republicana da liberdade de expressão” a Otaviano. Na oportunidade, Guimarães escreveu uma homenagem ao companheiro mineiro.

Abaixo apresentamos  homenagens feitas:

 Kleber Frizzera –  Relembrar Otaviano é reconstituir a esperança, sentimento imprescindível em tempos de futuro tão incerto”.

Memória

Diante do pior, do mais duro, do mais difícil, Otaviano de Carvalho tinha a coragem e a determinação dos revolucionários, o afeto e a reflexão de companheiro, a vontade e o desejo que não se curvam aos poderosos e à injustiça, que não se resignam à falta e às derrotas.

Octaviano era gentil, parceiro, era incansável.Quando a violência, a exploração e a conservadorismo voltam a aterrorizar e ameaçar o futuro da humanidade, quando a desesperança ocupa e assusta nossas mentes e corações, relembrar Otaviano é reconstituir a esperança e renovar as forças para o pensamento e a prática transformadora. Fevereiro, 2019.

Há cinco modos de presença Otaviano Carvalho em nossas vidas.

  1. O primeiro é compreender a sua contribuição às grandes jornadas de luta que levaram Lula à presidência em 2002.

Otaviano, como Chico Mendes, Margarida Alves e tantos outros, semearam, mas não puderam presenciar a colheita do grande ciclo de transformações atualmente vivido pelo Brasil nos anos Lula e Dilma. Do movimento estudantil em Belo Horizonte até 1999 foram 25 anos de militância em entidades estudantis, na formação do PT do Espírito Santo, em associações de bairro e como jornalista em oposições sindicais e sindicatos, como vereador e deputado estadual. Todo este esforço não foi em vão. O ano de 1999 iniciava a quarta jornada de Lula à presidência da República, desta vez vitoriosa.

  1. O segundo modo de presença Otaviano é lembrar as causas pelas quais lutou em sua vida. A caravana de Lula na qual foi vitimado visava a luta contra a privatização da Telebras e em favor da reforma agrária.

Hoje quando acende no país a luta pela democratização dos meios de comunicação, é certo que Otaviano estaria entre as principais lideranças devido ao seu acúmulo e seu conhecimento na área de comunicação.

O terceiro modo de lembrar Otaviano é falar de sua enorme contribuição à formação da tendência Democracia Socialista em seus primeiros anos e que continuou até o final. Otaviano, como Raul Pont, conjugou sempre a condição de construtor de coletivos com uma franca atividade de representação pública. Desta forma, não havia lugar para um personalismo, mas para o compartilhamento e para a formação de uma tradição que continua. Nascia ali também uma relação política com João Carlos Coser, que iria formar a Mensagem ao Partido no Espírito Santo.

O quarto caminho para evocar Otaviano é falar do grande amor da sua vida – a companheira Lísia, das suas duas filhas que deixou, Camila e Mariana, então crianças, hoje adultas, de seus parentes depois visitados em Iguatama (MG) por Lula, de seus companheiros mais próximos de militância, seus amigos espalhados por todo o Brasil. A sua própria comunidade de destinos formada em torno sempre da utopia do socialismo democrático.

Mas há ainda um quinto caminho para reencontrar Otaviano: é lembrar da sua paixão, da sua alegria de viver, de amar e transformar o mundo! A capa do boletim especial “Praça Oito”, do PT de Vitória, todo ele dedicado a Otaviano em 1999, estão os versos da canção de Gonzaguinha, ele também perdido em um desastre nas estradas, que Otaviano trazia no carro:

“São as lutas dessa nossa vida/Que eu estou cantando/ Quando eu abrir minha garganta/ Essa força tanta/ Tudo que você ouvir/ Esteja certo, estou vivendo/ Veja o brilho dos meus olhos/ E o tremor nas minhas mãos/ E o meu corpo tão suado/ Transbordando toda raça e emoção/ E se eu chorar e o sol molhar o meu sorriso/ Não se espante e cante/ Que o teu canto é a minha força pra cantar/ Quando eu soltar a minha voz/ Por favor entenda/ É apenas o meu jeito/ De viver o que é amar.”  dezembro, 2013.

Minibiografia:

  1. Otaviano de Carvalho nasceu em Iguatama/MG. Iniciou sua militância no movimento estudantil da PUC/MG onde formou-se em jornalismo.

Em 1981, foi transferido para o Espírito Santo por decisão coletiva da construção nacional da então ORM-DS. Militou no movimento social sindical e comunitário. Foi eleito pelo PT vereador por Vitória em 1989 e reeleito em 1993. Foi Secretário Estadual de Comunicação do Governo do Espírito Santo na gestão do Vitor Buaiz. Em 1996 foi candidato a Prefeito de Vitória e Deputado Estadual de 1997 a 1998.

Vídeo de homenagem a Otaviano produzido pela DS/ES em 1999.

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Juarez Guimarães é professor de Ciência Política da UFMG e militante da Democracia Socialista.

Kleber Frizzera é arquiteto e professor universitário. Fundador do Partido dos Trabalhadores do Espírito Santo.

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